COLATINA VELHA

 

Nada mais resta para ser mostrado à geração atual. Dos vestígios da Vila Colatina, onde originou a grande Colatina de hoje, só resta história e lembranças.

Colatina Velha foi palco dos principais acontecimentos do município, onde aconteceu o pólo inicial de habitações com a primeira prefeitura, Fórum da Comarca, cadeia pública, correio, colégio e igreja.

Hoje Colatina Velha, que é a Mãe do Município, se encontra abandonada e desprezada pelos filhos daquela que um dia foi princesa.

Adélia da Silva (nascida em 1905), Maria da Silva (1909) e Rita da Silva (1911), foram as três pessoas responsáveis pela igreja de Colatina Velha, desde a época da capela antiga, onde também conduziam as festas religiosas.

Fato interessante é que elas chegaram com a mãe, Maria Teodora da Silva, ao bairro de Colatina Velha, em 1926, procedentes de Minas Gerais, onde o pai (Manoel Silvério da Silva) havia morrido.

Veio junto, também, um irmão das meninas: Antônio Silvério da Silva, que morreu em 1935.


Sobre fatos do passado de Colatina Velha , as três irmãs,Adélia, Maria e Rita, citaram vários de suas lembranças para a reportagem da revista Nossa no ano de 1988; enumerando nomes de pessoas antigas: Gaudino Mota, que era proprietário de muitas terras, inclusive do sobradão que Maria Teodora da Silva comprou e depois foi demolido porque estava condenado. Como Maria Teodora morreu em 1939, as três irmãs estavam na época mesmo local do sobradão demolido, onde foi construída outra casa.

Outras pessoas antigas no bairro: Amânio Coutinho (morava em Colatina Velha desde 1903), Ozeas Amorim (morou no bairro a partir de 1907, sendo uma pessoa muito respeitada por ser tabelião), Brasilino ‘de Tal’ (morou na rua Pedro Epichin), João Albano (Oficial de Justiça), Glicério Martins (carroceiro), Catarina Salvadeu, Albino Gaiver (construtor), Benjamim Costa (advogado), Arquimedes (carnavalesco fundador do Bloco dos Marinheiros), Martim Scarton e Elvira Scarton, que moraram nas imediações do atual bairro São Vicente, que na época pertencia à Colatina Velha, Teodomira Rodrigues, José Rodrigues e sua esposa, dona Erotildes, e ‘Nego’ Glicério, entre outros.

Adélia da Silva, a mais velha, lembrou com saudade que o trem de ferro passava por Colatina Velha antigamente (pela avenida das Nações). O bairro tinha um posto de saúde perto da igrejinha, local que mais tarde foi sede de uma loja maçônica, e o farmacêutico Constante Negrelli é quem atendia no posto, com injeções, remédios e fazendo consultas.

Durante a construção da Ponte ‘Florentino Avidos’, a cidade ficou em polvorosa com o grande alvoroço dos trabalhadores chegando e se movimentando por Colatina Velha. Na inauguração da ponte, três bandas de música participaram da festa, com gente de vários pontos do Estado e até do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Foi a maior festa da época.

Na grande ilha do Rio Doce, em frente a Colatina Velha, Adélia, Maria e Rita trabalharam na lavoura, plantando, principalmente, arroz, chegando a colher 18 sacas do produto. Cultivavam, também, outros produtos, como: milho, feijão e hortas, sendo que a colheita o dono (que era de São Silvano) dava para as irmãs. As irmãs, além de lavradoras, foram também lavadeiras em Colatina Velha.

 


Após a chegada das irmãs Silva, o primeiro padre que apareceu foi o frei José, vindo a morar na avenida das Nações.

Grandes comerciantes dos anos 40, no bairro, eram José Marim e a esposa Floripes. Quando as irmãs Silva chegaram, em 1926, a igreja estava velha e quase caindo — era a igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, cuja imagem havia sido buscada em Vitória. Mais tarde, a imagem foi trocada por uma de São Sebastião e a igreja passou a receber o nome deste santo.

No tocante ao carnaval antigo, Adélia disse que os blocos de sujos foram feitos porque nos bailes dos clubes só entravam os ricos; pobres não entravam. Com isso, os que tinham menor poder aquisitivo resolveram fundar os blocos para também participarem das festas momescas. Mas aí, quando os blocos começaram a ficar mais animados que os bailes de clubes, os ricos começaram a entrar neles também. E, sendo assim, houve a participação de todos, ricos e pobres, numa festa só, pelas ruas da cidade.


MEMÓRIAS DE BÁRBARA WOTKOSKY AMORIM

Dona Barbara Wotkosky Amorim, residiu durante muito tempo em Colatina Velha, de onde tinha muitas lembranças e fez bons amigos em sua passagem pelo bairro.

Dona Bárbara foi esposa de Heráclio da Costa Amorim, filho de Oséas Amorim, grande personalidade do município, homem que trouxe para nossa terra um cartório e a primeira agência de correios, que se localizaram em Colatina Velha no início do século XX. Bárbara era descendente de imigrantes poloneses e contou a reportagem da Revista Nossa em uma reportagem no ano de 1988, que morou em Colatina Velha durante 16 anos, de 1932 a 1948.

Dessa época ela se lembra do vaporzinho, do embarque e desembarque de passageiros no atracadouro que ficava onde hoje está o batalhão da polícia Militar e da venda de Aristides Miranda, que era um estabelecimento comercial importante naquele tempo no bairro mais antigo de Colatina.

Um dos destaques apresentados por dona Bárbara durante seus 16 anos de residência em Colatina Velha eram as festas juninas e as festas religiosas em homenagem à Nossa Senhora, padroeira do bairro. Segundo revelou, os moradores eram bastante religiosos e frequentemente havia festa da Igreja homenageando a Mãe de Jesus. Ela mesmo chegou a participar de muitas delas, se incorporando à devoção popular.

Bárbara Wotkoscky Amorim e Heráclio da Costa Amorim tiveram oito filhos, todos nascidos no período em que moraram em Colatina Velha.

Bárbara conclui que os tempos passados eram muito melhores e que o custo de vida vinha crescendo muito na época da reportagem em 1988, ao contrário do que acontecia nos anos em que morou em Colatina Velha.


MEMÓRIAS DE WALTER SANTANA

Um morador antigo de Colatina Velha, que foi residente no bairro desde 1.925, foi Walter Santana. Walter gostava muito de carnaval e foi um grande folião no passado. Quando tinha desfile carnavalesco na cidade, ele ia para a avenida ver as escolas desfilarem e até mesmo para pular um pouco. Walter citou para a reportagem da Revista Nossa no ano e 1988, como foliões antigos: Richinha, Zinho e Acib Richa, que no passado brincavam carnaval no tradicional Clube Pavãozinho Dourado.

Sobre Acib Richa, Walter contou que ele antigamente era um homem bastante animado quando tocava música em diversos instrumentos e batia pandeiro motivando o carnaval na éроса.


Como moradores antigos de Colatina Velha Walter citou Darci "um homem que fazia peneiras", Antônio Molotof "que tinha uma chácara", Darli Amorim, Maurſlio Ferreira e Benizio Corrêa Maduro. A rua Pedro Epichin, segundo suas declarações "era antigamente uma avenida reta, na beira da estrada de ferro, cheia de casinholas". Lembrou ainda que no local onde hoje está a igreja católica do bairro tinha poucas casas e algumas vendas.

Walter Santana era casado com Maria Conceição Santana e teve 5 filhos.

Walter nasceu em Barra de Itapemirim e morava em Colatina Velha desde 1.925.


 

📚 Fonte: Revista Nossa — Nº 37 — Outubro de 1988

📸 Contribuição do acervo de Cláudio Wotkosky

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