Quem cresceu ouvindo as histórias contadas pelos mais antigos certamente já escutou falar do lendário Caboclo d’Água, conhecido popularmente em diversas comunidades do Vale do Rio Doce como Cabloquinho d’Água. Figura marcante do folclore regional, esse ser misterioso atravessou gerações por meio de relatos, causos e narrativas que até hoje despertam curiosidade, medo e fascínio entre moradores, pescadores e navegantes.
Segundo a tradição popular, o Caboclo d’Água seria uma criatura que vive nas profundezas dos rios. Descrito de diferentes formas ao longo dos anos, ele é frequentemente retratado como um guardião das águas e da natureza, um ser que protege os rios contra aqueles que os desrespeitam. Ao mesmo tempo, sua fama também está ligada a histórias assustadoras. Muitos pescadores antigos afirmavam que a criatura costumava surgir inesperadamente, assustando embarcações e, em alguns relatos, chegando até mesmo a virar e afundar canoas que navegavam pelas águas do então caudaloso Rio Doce.
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| Cablocos D'água atacam com uma certa frequência embarcações. Alguns relatavam a figura como um ser pequeno e outros grande, fusão entre um símio e um peixe. |
As histórias eram comuns em uma época em que o rio possuía um volume muito maior de água e era intensamente utilizado como rota de transporte, pesca e lazer. Em rodas de conversa, nas varandas das casas ou às margens dos rios, os moradores compartilhavam relatos sobre encontros misteriosos, sons estranhos vindos da água e aparições que desafiavam qualquer explicação lógica.
A lenda não se restringe apenas ao Rio Doce. Há registros de histórias semelhantes em afluentes da região, como o Rio Pancas. Um dos relatos mais conhecidos foi contado pelo antigo morador do bairro São Silvano, o senhor Henrique Neves. Segundo ele, há muitos anos, próximo à Cachoeira do Oito, teria se deparado com uma dessas criaturas. A experiência marcou sua memória e passou a integrar o conjunto de histórias preservadas pela tradição oral local.
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| Os indigenas que mais reforçavam essa lenda. |



Vi dentro da loja do meu pai na rua da Independência um Senhor de nome Pedro Ponche contando historias fantásticas a respeito do caboclo d'água. Inclusive uma em que ele alegava ter cortado o braço de um deles nas proximidades de Maria Ortiz quando o caboclo tentou virar sua canoa.
ResponderExcluirMeu tio botava medo em nós, dizendo que o caboclo d'agua estava segurando o anzol da vara de pesca,só para não entrarmos no rio, ficavam todos com medo. Tínhamos pouco mais de oito anos.
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